Batizado: a correria, a logística das horas, o avô que tem a vela e o padrinho que está atrasado, as gravatas por apertar, os sapatos que os miúdos descalçam e as mães que, em frenesim, apanham o mesmo sapato trinta a sete vezes durante a manhã. A balbúrdia da casa, a algazarra de vestir um bebé enquanto chora, a agitação das mães e a inabalável pacatez dos pais.


Fotografar batizados traz-me sempre uma inquietação boa, um caos saudável que me faz trabalhar profundamente grata por alguma família me ter escolhido, a mim!, para viver com ela um momento de tanta intimidade. Geralmente começo a fotografar ainda os mais novos tomam o pequeno-almoço ensonados, antes do silêncio da casa virar o alvoroço e a pressa. E antes das inquietações de alguma coisa poder correr mal, vira mais um dia bonito e feliz, onde a família se reúne e reza, e come, e bebe, e agradece, e dança.

Esta é a parte do dia em que as mesas imaculadas viram nódoas de vinho na toalha e os sapatos envernizados dão lugar a pés descalços. Em que os miúdos aprumados viram correria e gotas de suor a escorrer pela testa, e em que os penteados ficam desleixados e a gargalhada fácil. E eu, a beber aquele frenesim inteiro enquanto mudo a lente ao colo, atenta àquela alegria toda de se estar em família, e a tentar não deixar escapar um pormenor bonito ou um olhar raro para a câmara.