Imagino sempre a Margarida de jardineiras e flores nos bolsos, a ser feliz todos os dias de cabelos soltos, livres, a dançarem com o vento mesmo quando não dá jeito. Imagino-a a sentir o calor do sol a entrar-lhe pele adentro, de olhos fechados, todos as manhãs, a ouvir música bonita enquanto rega as plantas. E também a imagino a escrever poemas longos mesmo que nunca os escreva, a criar melodias com os barulhos do campo, em sossego. Estive com a Margarida duas vezes e dela sei pouco, mas o pouco que sei chega-me para lhe fotografar a sensibilidade, a forma como ela gosta do campo e da terra, das flores e do vento a uivar. Da calma. Tenho a certeza de que é uma mãe do caraças, em silêncio numa casa bonita, a encher o Viriato de flores frescas e canções de embalar.