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Homens sem Mulheres. Li em dois dias, mas é importante saberes que houve muitas viagens de comboio pelo meio. Também não é um calhamaço típico de Haruki Murakami, digo-te já. Lê-se bem. 249 páginas.


São sete contos independentes que têm em comum a solidão de um homem que foi deixado por uma mulher. É ela – poderosa, confiante, ou apenas tão solitária quanto ele – a peça fulcral que dá origem ao desenrolar de cada história. Quando chegares ao fim do livro percebes que, apesar de teres lido sete histórias diferentes, tiveste acesso à mesma dor, só que com diferentes cheiros e texturas. É um relembrar de que, por mais diferenças que existam entre nós, padecemos dos mesmos anseios, das mesmas mágoas e lutas. Vivemos a solidão da mesma maneira. Desejamos da mesma maneira. Sofremos da mesma maneira. E no final do dia só queremos ser amados, nem que seja por nós próprios. Somos mais parecidos do que julgamos. É bom pensar sobre isto de vez em quando.


“Porém, independentemente da circunstância, estava convencido de que o conhecimento superava sempre a ignorância. Por mais doloroso que fosse, havia que apurar a verdade. Só a verdade torna os homens fortes.”


É sobretudo uma boa viagem sobre diferentes histórias: tens universos totalmente antagónicos que se cruzam por algum motivo; traição; isolamento; fantasias e memórias de quem fica cravado nas mãos e não sai. Já sabemos que o motivo de uma pessoa sair da nossa vida é não ter mais nada para nos ensinar, mas obviamente que Murakami torna esse momento numa profunda e intensa reflexão sobre a existência, sobre o amor e sobre a vida (no fundo, o que todos nós fazemos quando nos partem o coração pela primeira vez).


É um bom início para quem nunca leu nada de Haruki Murakami, embora o Homens sem Mulheres seja apenas uma pequena nesga de luz dos universos alucinados do escritor. Se quiseres aventurar-te, atenta que a escrita dele é muito simbólica e a delícia de ler Murakami está nos pormenores.


“A vida é realmente estranha, não achas? Às vezes, quando observamos as situações por um ângulo diferente, uma coisa que parecia incrivelmente fantástica e perfeita, e pela qual estávamos dispostos a abrir mão de tudo, torna-se assustadoramente desbotada.”