Fotografar a Beatriz no Jardim da Gulbenkian foi, mais uma vez, um exercício de atenção. O jardim estava cheio, como quase sempre, mas isso nunca foi um obstáculo mas antes um convite a olhar melhor. A luz filtrava-se entre as árvores, a luz desenhava no chão, e foi seguindo essa luz que fomos encontrando pequenos refúgios no meio do movimento. Lugares onde o tempo abranda, onde o ruído desaparece por instantes e onde é possível criar intimidade mesmo num espaço partilhado por tantos.
Às vezes, fotografar é exatamente isso: aprender a ver. Ver os cantos onde quase ninguém pára, os enquadramentos improváveis, os detalhes que passam despercebidos à pressa dos dias. É perceber que não precisamos de grandes cenários, mas sim de atenção à luz, ao espaço, à pessoa à nossa frente. Foi nesses pequenos lugares, fora do óbvio, que a Beatriz se revelou com naturalidade, como se aquele pedaço do jardim tivesse sido feito só para ela.